terça-feira, 4 de outubro de 2011

O SACERDOTE E O POVO

Assim como é vergonhoso para uma mulher não levar o nome de seu marido, assim também é vergonhoso para uma igreja de Jesus Cristo não levar o Seu nome. Professa-se o nome de Cristo mas são tão somente palavras vazias, sem real sentido, sem real comunhão com o Mestre da Galiléia. Os rumos que o cristianismo tomou o levaram para longe de Cristo. Tudo se tornou formalidade, clericalismo, dogmatismos estéreis, distante da liberdade que Cristo veio trazer ao mundo. Hoje fala-se muito de unção, de fogo, de pentecoste, de benção. Tanto se fala que essas palavras perderam a sua verdadeira conotação. O cristão genuíno não faz mais, hoje, do que chorar... chorar!!! Que mais poderia fazer a não ser chorar e esperar que um dia Deus se manifeste. Mas ai daquele que se dizendo cristão não olha pelas ovelhas do aprisco do Senhor, que sentem fome e sede, e, sobretudo, a falta do pastor! "Assim como é o povo, assim será o sacerdote" (Os 4.9). Se invertêssemos para: "assim como é o sacerdote, assim será o povo" não estaríamos distorcendo a Escritura porque aqui também a ordem dos fatores não altera o resultado. Se o sacerdote, que tem a missão de guiar e ensinar o povo não prega o que o POVO PRECISA, mas sim o que o POVO QUER; estará ele agradando a Deus ou ao povo, ou seja, às ovelhas, ou antes, aos cabritos? Se fosse às ovelhas porque não pregar aquilo que elas necessitam, afinal de quem são as ovelhas de Deus ou não? Quando Jesus exercia o seu ministério terreno, ele sempre se preocupou em dizer aquilo que o povo precisava ouvir. Para o povo judeu, Cristo viera para libertá-los do jugo dos romanos, seus opressores; e, quando ele dizia aos judeus para perdoar seus inimigos, a frustração do povo foi completa. É que Jesus não tinha compromisso social com o povo. O seu compromisso e missão era fazer a vontade do Pai (Jo 5.30). Para os nossos padrões de hoje, Jesus seria tomado - como de fato está sendo - como um jovem judeu antissocial, aliciador do povo. Assim, com Jesus, aprendemos que o sacerdote não deve ser como o povo. É do conhecimento de todos que, sociologicamente, o povo não sabe para onde vai. As ovelhas não sabem tomar conta de si mesmas, por isso a necessidade de um pastor que as guie, proteja, vá em busca da perdida, cure suas feridas; e principalmente, procure conhecer cada uma em particular, no profundo da alma: seus anseios, mágoas, dor e traumas. Muitos tem se aproveitado do fato de as ovelhas não saberem para onde vão e manipulam igrejas inteiras, geram apenas emoções, levando-as aonde eles querem que elas estejam. Preocupam-se mais com as entradas do que com as entradas das ovelhas no aprisco do Senhor Jesus Cristo. Sim! Infelizmente, as palavras proféticas de Oséias tem se cumprido em muitas igrejas. O sacerdote prega o que o povo quer ouvir. Prega o que ele acha que o povo quer, esquecendo-se de procurar saber o que Deus quer dizer ao povo. Por conta disso, o povo é engodado pelo pecado, sendo por este corrompido. Não é a toa que nos tempos dos juízes o povo mergulhava paulatinamente na mais profunda obscuridade e prostituição espiritual, pois que cada um fazia o que achava reto. Não havia sacerdote aquela época para falar aquilo que precisava o povo (Juízes 17.6; 21.25). Muitas vezes alega-se que o povo não participa do culto de oração e doutrina porque ele não gosta de ouvir sermões que "pisam" em seu calo. Quando percebemos que há um problema no nosso relacionamento com outra pessoa, precisamos fazer uma retrospectiva interior a fim de verificar se a origem do problema não está em nós e não na outra pessoa. Porque então não levarmos essa hipótese ao nível do relacionamento sacerdote-povo? Será que realmente o sacerdote está acendendo o fogo no altar? O último livro do Antigo Testamento trás gravíssimas denúncias contra o proceder dos sacerdotes que ministravam no templo em Jerusalém. Malaquias, assim como todos os outros chamados "profetas menores", profetizou duramente contra Israel. Assim como o pai serve (pelo menos, deveria) de exemplo para o filho, o sacerdote é visto como o modelo pelo povo. E se o sacerdote não procura agradar a Deus, então o que se pode esperar do povo? "Os seus chefes dão as sentenças por presentes, e os seus sacerdotes ensinam por interesse, e os seus profetas adivinham por dinheiro..." (Miquéias 3.11). Tal era a situação de Israel antes da vinda de Jesus Cristo em carne, o que completou uma plenitude de tempo. E agora que uma nova plenitude de tempo se aproxima - o Arrebatamento da Igreja - será que a classe sacerdotal (todos os crentes, sim (1 Pe 2.9); mas principalmente os ministros) não está em semelhantes condições de corrupções e desvios? Como está sendo realizado o culto a Deus? Será que estamos cultuando a Deus realmente ou o interesse que nos move é apenas a mesquinha satisfação de nossas necessidades, ficando a adoração à Deus a um segundo plano? “Ninguém pode servir a dois senhores, porque ou há de odiar um e amar o outro ou se dedicará a um e desprezará o outro..." (Mateus 6.24). Quando Jesus chegou para cumprir o desígnio de Deus, encontrou aqueles que deveriam conduzir o povo, os sacerdotes e os doutores da lei, infiéis às suas responsabilidades. haviam se desviado da verdade levando o povo consigo a um profundo abismo espiritual. Por terem se apartado da verdade não a reconheceram quando ela se incorporou na pessoa bendita de Jesus. E o povo, habituado a segui-los, em sua maioria, igualmente também não o reconheceram como o Messias Prometido. Jesus os chamou de condutores cegos. "Ora se um cego guiar outro cego, ambos cairão na cova" (Mateus 15.14). claro está nesta afirmação do Mestre que o povo não é irresponsável de todo por sua cegueira. Devemos pois, examinar as Escrituras se crermos ter nelas a vida eterna (Cf. João 5.39)